quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mais alegria no que há de vir!

Natal já passou, 2011 é depois de amanhã... Mas por onde começar?! Começo esse texto envergonhada... Afinal quebro um silêncio forçado, protelado e que no final possui justificativas fracas e cheio de desculpas. E o que assusta é que desperdicei três meses em que eu poderia ter desabafado sobre várias coisinhas... No fim fica o receio de ter perdido os meus leitores.
 
Escrevi vários textos, mas todos na minha cabeça. Sempre antes de dormir. E quando amanhecia não lembrava uma frase. Ai que coisa não poder levantar da cama e pegar caneta e papel quando surge um verso ou uma frase qualquer. Sinto falta.
 
De qualquer maneira os últimos meses foram de pequenos, porém notáveis, avanços. Percebi um dia que começava a sentir contração muscular nos dedos das mãos. Que surpresa! O estranho é esforçar o dedo para esticar, sentir que alonga, mas o bichinho tá lá quietinho! O importante é continuar, vai que um dia a surpresa é maior e voilá!!!
 
Ontem voltei pra água. Como relaxa alongar submersa! Como dá fome! Estou fazendo hidroginástica e pedi para a professora enfatizar as pernas, mesmo que o exercício seja passivo e o esforço seja mental. O incrível foi sentir contração muscular no superior da coxa, superior da perna e panturrilhas! Com direito àquela sensação de queima quando se está trabalhando bem os músculos!!!
 
Fechar o ano com essas novas sensações é extasiante. Mesmo que no plano geral da minha lesão esses sejam detalhes minúsculos, a fé na minha reabilitação total os torna pepitas de ouro!
 
Acabou 2010 e daqui a dois meses serão dois anos de lesão. Perdi um ano “normal” da minha vida em que poderia ter trabalhado, usado meus saltos, ter feito a minha maquiagem, acordado a hora que quisesse...
 
Não sou hipócrita em dizer que fui feliz o ano inteiro e me desculpem se confesso que me chateio quando chega alguém e diz que “ah, você pode fazer tudo do mesmo jeito”.  Não, não posso fazer tudo do mesmo jeito. Tem coisa que realmente não flui mais!
 
Apesar de me irritar, de sentir falta de tantos detalhes bobos como digitar, escovar meus dentes como gosto, sentar sozinha no banco do passageiro, sentir os pés no chão (...) deixo claro que não desisti de buscar todos os dias maneiras de superar essas ausências.
 
Em contrapartida, sei que ganhei muito mais do que penso ter perdido. Nada abala o crescimento emocional e de fé que tenho alcançado. Sei ainda que 2011 reserva descobertas, sensações e superações que não posso imaginar.
 
E como todo final de ano que se preza é de praxe a listinha de compromissos (melhor esse termo porque nem sempre cumprimos promessas) adianto duas para o new year: felicidade a todo custo e post toda semana!
 
Obrigada a todos pela amizade e leitura. Fiquem comigo, me deem ânimo, rezem por mim. E comentem, mesmo que seja um simples “oi, Ana”. Na simplicidade há carinho e atenção.
 
Que Deus abençoe nosso novo ano! Paz e Bem!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Prioridades...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mailing

Meus caros, quero montar uma lista da e-mails para que eu possa avisá-los das atualizações do blog. Enviem um e-mail para anacomjor@gmail.com para que eu possa cadastra-los.

Não deixem de ler o novo texto logo abaixo!

Paz e Bem!


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Bimestre!

Ultimamente, duas coisas têm me deixado tristinha: a ausência no blog e as ‘intempéries’ com meu corpinho! Tem sido complicado equilibrar meus exercícios, com a pós, o blog, minha bexiga e mais ainda minha pele. Não reclamo, faço apenas um balanço.

Passou julho. Está acabando agosto e nada de novas linhas por aqui. Fico tão embaraçada porque sei que muitos amigos gostam de passar pelo blog e saber da minha recuperação! Sem falar que eu fico morrendo de saudade de ler o que me escrevem!

Aconteceram tantas coisas nesses dois meses. Umas bens chatas e outras dignas de um belo sorriso. Vou começar pelo chatinho porque depois o legal anima! Portanto, “senta que lá vem história”. ( Ra-tim-bum, tudo de bom!)

Pois bem, meu bem! Final de junho foi extremamente quente aqui em Campo Grande e a bebezinha aqui ganhou uma assadura numa partezinha bem indiscreta. Mas eu mereço, só queria ficar sentada, apesar dos alívios a pele não resistiu. Com isso diminui as sessões de fisio e suspendi, de vez, a hidro e a équo. Essas ultimas ausente desde maio.

Passei parte de julho e o mês de agosto praticamente deitada. Virando de um lado para outro, que nem bife a milanesa. Sentando só para comer e banho, claro. Essa foi uma das razões da ausência, ficava difícil digitar longos textos deitada. A vantagem da nova posição foi praticar a força abdominal para me mover de lado. Evolui nesse aspecto.

Lembram aquela infecçãozinha de urina que tive no começo do ano? A danada voltou com força total no final de julho. Internei num frio, frio, frio. Fiquei em um dos hospitais do Pênfigo, o bom dessa vez que foi no centro da cidade então a D. Neuza, uma querida amiga, me levava o almoço. A dieta era bem restrita, sem carne e sem café. Eram servidos carne de soja e cevada. Nunca bebi tanto chá na minha vida! 

Foram 11 dias longe de casa e limitada ao quarto. Conhecia cada fresta na parede por três motivos: a tal da assadura, muito frio pra sair do quarto e não tinha aonde ir no hospital. Onze dias sem internet e com a antena da televisão ruim, nem TV aberta pude ver direito. Se bem que há poucos programas de respeito na TV aberta brasileira. Eu fiquei em um dos poucos quartos sem TV a cabo...

Mas não fiquei entediada, conheci pessoas muito legais por lá. Com consideração a todos, a Ana Claudia foi especial. Carismática, divertida, me fazia rir horrores. Ah! A Socorro foi extremamente zelosa! E tem também o Walter, todos os dias aparecia para conversarmos.

A rotina agora tem sido mais intensificada no quesito água. Não que antes não tomasse, mas beber água sem estar com sede não é muito bom. É como se precisasse encher a bexiga de liquido para fazer ultra-som e fica aquele enjôo.

Fora isso voltar a usar cranberry, uma uvinha selvagem que é colhida em países como Chile e Canadá. A colheita é feita uma vez por ano, logo o tratamento não é barato. Uma amiga me deu um concentrado que se usa como geléia em pão ou no suco. Amargo! O consumo é a cada três dias. O cranberry tem mais vitamina C que a laranja e previne as infecções, evitando que as bactérias se alojem na parede da bexiga.

Agora o bom da história, estou indo para Brasília no próximo dia 28! Mais uma temporada de Sarah Lago: revisão urológica, reavaliação do meu quadro e órteses, musculação, canoagem, reencontro com os amigos malacabados, passeios com um bando de cadeira dominando os lugares! Ufa!!! Bom demais!!!

E é claro, aquele xero de grudar na velhinha mais cheirosa do Brasil, dona Dalila!!! Pena que minha outra vozinha tá longe de Bsb, no Rio. Pensando aqui... Rio 2011!!! Dar um xerão que está sendo acumulado por cinco anos. Tios, tias e Carol, vocês não vão escapar da beijação!

Sem falar do agarro que vou dar na minha loira que não é mais loira, dona de uma voz espetacularmente ungida! Quem, quem??? Rafa, minha mana!!!

Ansiosa também para ver todas as minhas primas!!! Mulherada estou com todo o fôlego, quero sair, fazer compras! É tanta saudade que vou sugar vocês! Amadas!!!!!!!! Tios, não esqueci de vocês!!!

Outra coisa “bem boa” é boa demais! Quanta redundância, mas por justa causa. Além de estar sentindo pressão ao tocarem nas coxas, já posso sentir também um pouco nos joelhos e um pouco mais na panturrilha!!!

E pra fechar (ufa!!!) participei no último dia 18 do programa Hora do Jovem, da TV Imaculada Conceição. O tema foi a superação no amor de Deus, ou seja, um processo de cura física e espiritual no colo do Pai! Quer algo mais maravilhoso do que isso?! Sem falar também de toda a equipe do programa e da TV. Vocês são lindos demais, uma unção poderosíssima! Privilégio tê-los conhecido! Para quem está em MS, a TV Imaculada Conceição está sintonizada no canal 15 UHF.

                                                                                                                               foto: mª.s.a.cardoso
 
Paz e bem, meus amigos! Oremos sem cessar!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Descaso e ignorância

Pessoas ignorantes me comovem. É incrível como conseguem ser alheias a princípios básicos de socialização. Mas, além disso, o que mais mexe comigo é como algumas não são apenas mal-educadas, se superam e conseguem ser limitadas intelectualmente.

Não me refiro a pessoas que tiveram problemas de instrução, não puderam freqüentar uma escola. E sim aquelas que ostentam um diploma e querem ser chamadas de doutores. A comoção está neste ponto, tem-se a oportunidade social de serem agradáveis e espertas e se reduzem a uma classe desprezível.

Se chegassem a me chamar de ignorante, preferiria ser alheia a informação a um sabedor arrogante e grosseiro, esse sim um ignorante completo.

Mas tanta “revolta” tem uma razão! Começo da semana fui ao posto de saúde para conseguir um encaminhamento para um neurologista que atenda pelo SUS, isso para que eu dê entrada no Transporte fora domicilio (TFD). Com o TFD eu posso ir para o Sarah em setembro sem pagar as passagens de avião. É um beneficio do governo.

O atendimento começou às 06h30, cheguei lá às 06h40. Na triagem aferi a pressão, 08 por 06. Creio que estava baixa porque saí de casa sem comer. Como a técnica de enfermagem entregou uma senha, minha mãe lembrou que eu tenho preferência de atendimento. Ela disse que não ia precisar, a médica atendia rapidinho. Já saí contrariada.

Senha número nove. Quando cheguei em frente ao consultório, o quinto tinha acabado de entrar. Cinco minutos? Foi a primeira vez que vi um médico de posto com um atendimento um pouco mais demorado, se tivessem me contado não acreditaria.

De repente a médica sai e faz uma espécie de chamada. Eis que os primeiros sinais de sua robusta falta de delicadeza espetam os infelizes pagadores de impostos. Sim, é ela a razão de tanta chateação!!! “Fulano de tal tá ai?”, uma voz insegura solta um “Eu”. “Eu quem, eu quem?? Eu não é nome, diga o nome!”. Urgh, uma rainha do gelo!

Juro, ela não fez contato visual com ninguém e entrou para a sala. Não tive nem tempo de falar para ela me atender. Eu e minha mãe falamos com os outros pacientes que ela descumprindo uma lei federal. Apenas um deu importância, os outros ficaram com murmurinhos de concordância e só. Comportamento amebático!

Aquele que nos deu atenção quando foi entrar no consultório avisou a tal médica que tinha uma cadeirante. Ela foi direta com um “Entra logo!”. Pasmei!

A essa altura já era mais de 08h! E finalmente entrei na sala! Surpreendi-me quando proferiu um bom dia, se bem que daqueles que pretendem acabar com seu dia! “O que você precisa?”, comecei a explicar que queria um encaminhamento para o TFD quando de repente me corta, “TFD, o que é TFD?”. Alow, colega! Você é médica do SUS e não sabe disso? Tá, acho que estou sendo muito exigente. Uma folguinha para os ignorantes doutorados!

Com uma delicadeza murcha ela perguntou o que eu tinha. Ué, respondi que nada, só precisava de um encaminhamento. Quando abruptamente disparou “por que você está numa cadeira de rodas? Preciso saber o que você tem para colocar no relatório”. Seria tão simples se ela tivesse perguntado educadamente! Respondi tentando controlar uma justificável irritação. Engraçado minha mãe me pedindo calma enquanto ela reclamava da papelada e de ter que procurar o número do CID-10 (Código internacional de doenças) em um guia cheio de sigla e números.

Quando eu perguntei se ela conhecia a lei estadual 1.372/93 que garante prioridade de atendimento, ela respondeu que sim, mas que achava que estava com o pé machucado. Se assim fosse eu estaria em um pronto – socorro não em um posto de saúde. Pra completar ela soltou: “Mesmo que eu soubesse que você é cadeirante, não tem problema esperar você é jovem!”. Ela ficou sem ter o que falar quando a lembrei das escaras. Isso ai não escolhe idade.

Saindo da sala eu disse que iria reclamar meus direitos, para ela o que eu iria fazer era criar caso. Enquanto eu ainda falava ela tentou fechar a porta na minha cara.

Peço desculpas a você, leitor, por me ler tão chateada assim. Mas eu precisava desabafar esse caso e mostrar que a falta de respeito é constante. Esse fato reflete bem o pensamento que coloquei no post anterior. Realmente não adianta mudar a arquitetura de um lugar se as pessoas não são acessíveis. Acessibilidade é o respeito mútuo!

Enquanto isso tento fazer minha parte e vou continuar reclamando quando estacionarem em local reservado, em cima de rampas, quando ignorarem a fila e tantos outros. Parece coisa banal, mas não é. É preciso reclamar, brigar pelos nossos direitos civis e mais do que isso oficializar nossa reclamação! Dessa forma garanto para mim e para o meu próximo que as leis sejam obedecidas. Isso não é utopia, isso é respeito.

Fiquem com Deus!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Enquanto isso...

Estou terminando um texto, mas enquanto isso deixo um pensamento que achei em um blog que sigo, pena que não tinha autoria. E aí, o que você pensa a respeito? Ou melhor, o que você tem feito a respeito??? Reflitam e vamos agir!!!

"Cada dia acredito mais que tão importante quanto construir rampas é tornar mentes mais acessíveis." 


Paz e bem, sempre!!!

domingo, 20 de junho de 2010

Celebrar a vida sempre!!!!


Hoje poderia ter sido um dia triste, silencioso. Neste dia haveria uma cama vazia, roupas guardadas, lembranças em fotos. Olhos marejados, alma calada e uma missa como oração. Este poderia ter sido o segundo aniversário não comemorado, mas sentido com uma ausência dolorida.

Entretanto, abri os olhos nesse domingo. Mais uma vez! E em um silêncio sereno pude agradecer a Deus por ter-me preservado a vida. Posso comemorar esse aniversário e dizer que eu recebi o maior presente do mundo todo: minha vida.

Eu sentia uma saudade doída de Deus. Trabalhava, dormia, comia e trabalhava. Meus dias foram resumidos a um aperfeiçoamento profissional, algo louvável, mas que exagerava. E fui me afastando da minha intimidade com o Pai. Ia às missas e me envergonhava por não me sentir totalmente entregue.

Um dia fiz um pedido. Queria estar de volta no colo de Deus, quebrar a barreira que eu mesma construí. Alguns meses depois sofri meu acidente. Entretanto essa não foi a resposta do Senhor. O que aconteceria depois disso foi Sua voz.

É inimaginável que aos 27 anos eu estaria tetraplégica. Impossível ignorar esse detalhe, queria ter dançado no meu aniversário, ter cortado meu bolo e até mesmo ter pulado quando o Brasil fez três gols em cima da Costa do Marfim. Eu que nem gosto de futebol. São tantos detalhes e sinto falta deles várias vezes ao dia.

Nesses momentos eu choro e rezo. Primeiro, dou-me o direito de sentir tal dor. Minha oração seria falsa se eu não admitisse minha fraqueza. E a dor vai se transformando em prece, em um abraço sincero, em um acalanto celestial.

Há um ano, ter celebrado meu aniversário teve um toque de alivio. Pensar que quatro meses antes eu encarei a morte e naquele momento eu comemorava a seqüência da minha vida foi algo simultaneamente assustador e incrível.

Meses se passaram e precisei encarar a nova realidade, cheia de dificuldades. São momentos duros, mas que lapidam. Este ano assoprei as velinhas com fôlego mais forte e pensamento mais claro. Comemorando com mais razão e mais alegria. Afinal, a consciência de como está meu corpo e o que posso fazer por ele está mais definida.


                                                                                          foto: Mamis!

E entre minhas sessões de fisioterapia ouço a voz de Deus. Ela me encoraja, me fortalece e me faz crer que n’Ele tudo posso. E estando mais forte posso ser esse minúsculo instrumento. Como é bom viver, celebrar mais um aniversário sabendo que posso transmitir tão singelamente o amor do Pai. Então passo a entender que não existe um porquê de ter sofrido um grave acidente e sim um para que! Para ser canal da graça!

Confesso que sinto medo pela minha fraqueza. Mas não posso temer, pois eu sei que descanso nas chagas de Cristo. E ainda sei que esta é aquela resposta que pedi a Deus, voltar para Ele é estar envolto na graça. Esse amor cura qualquer limitação!

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo! Paz e Bem!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Amor de Deus!

Amigos quero agradecer de coração as mensagens carinhosas que recebi pela entrevista dada à Carmem Cestari. Deus age tão silenciosamente e com firmeza.
Desejo muito escrever como o Senhor está agindo e agradecer por me usar de forma tão humilde. Mas para isso preciso estar em um silêncio na alma, calmaria ao meu redor, o que não acontece agora. Quero escrever com o coração, em obediência ao Senhor.

Só tenho a dizer, no momento, que sinto uma a alegria e ao mesmo tempo receio em ser um pequenino instrumento de Deus. Que o Espírito Santo me fortaleça para servir com humildade a vontade do Pai.

Paz e Bem

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Luz, câmera, ação!!!

Sinceramente, vou parar de escrever “até amanhã”! É incrível como eu nunca consigo voltar no dia seguinte.

Na ultima terça quando prometi voltar com as últimas novidades, eu estava completamente exaurida. Pelo menos por um bom motivo! Gravei uma conversa deliciosa com minha colega Carmem Cestari para o programa dela “Estilo de vida”.


                                                                                                                     foto: Maria do Socorro

Para ficar ‘bunitinha’ pra câmera acordei cedo e fiz uma hidratação diamante! Chique a menina! Quase duas horas no salão, mas ate aí corpinho tava tranqüilo. Descansei um pouco, almocei e deitei.

 Duas e meia da tarde, frio bom em uma semana geladíssima, encontramos a equipe em um dos parques espalhados pela cidade. Durante a entrevista minha mamis- fotografa flagrou um dos detalhes que vale a pena morar na cidade Morena!

                                                                                                                          foto: Maria do Socorro

Nosso bate-papo durou uma meia hora com relatos sobre o acidente, fé, reabilitação e surpresas diárias. O trabalho continuou aqui em casa, imagens da minha digitação, pintura e como está a força prensora lateral.

                                                                                                            foto: Maria do Socorro

Trabalho terminado fui pra cama e desabei. Nossa, meu corpo doía horrores! O estranho que mesmo sem sentir boa parte do corpo eu percebia o peso sobre pernas e músculos contraídos. O jeito foi dormir a base de analgésico.

Mas todo esse incômodo valeu a pena! Estar em frente a uma câmera de novo, reencontrar colegas queridos; cito Carmem Cestari, Alvaro Roneis e Rubão! Valeu a pena também conhecer o Roberto Belini, um estagiário figura!

Esse encontro vai ao ar nesse sábado, 05.06, no programa Estilo de Vida, da TV MS Record. O tema do programa é superação! Entre os casos apresentados está o meu =]

Um bate - papo legal sobre fé, coragem e família. Para quem estiver em CG o programa vai ao ar às 11h30 no canal 11 ou 18 da Net.

Família e amigos que estão longe podem conferir em tempo real pelo site www.msrecord.com.br, na coluna à direita logo abaixo da 'busca'. Lembrando que o horário de MS é uma hora a menos que o de Brasília sendo assim vocês devem acessar o site a partir de 12h30.

Conto com a audiência de vocês! Depois quero saber o que acharam, comentários no blog!!!

Ah! Mas essa não foi a primeira vez com uma câmera depois do acidente! No começo de maio gravei um trabalho especial para uma associação chamada ADONE (Associação de Doenças Neuromusculares de Mato Grosso do Sul). - www.adonems.wordpress.com  -



                                                                                                                     foto: Thaynara Andrade

 Deixei para contar depois do material pronto. O importante é que o vídeo serve de “divulgação do Projeto Guia de Locais Acessíveis de Campo Grande - uma iniciativa da ADONE MS e da UNEPE, com o apoio do CREA MS – gerido pelo Fórum Permanente de Acessibilidade de Campo Grande, que já conta com diversos parceiros do setor público e privado.” O filme foi produzido pela parceira Faculdade Estácio de Sá de Campo Grande e apresentado por mim.

O gostoso é que aos poucos estou voltando para o que eu gosto de fazer. Falta descobrir como vou me sentir bem... Mas isso eu vou saber!

Confiram o vídeo aqui! Breve mais fotos Flickr e Orkut.

Paz e bem!!!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Apareceu a Margarida!!!

É eu sei... Mereço um puxão de orelha daqueles!!! Vinte e três dias sem dar um sinal de vida pra vocês!!! Perdi a noção de tempo, percebi q não postava nada com duas semanas, as outras adiei mesmo...

Mas o que ajudou a sumir foi uma machucadinho que tive na perna direita. Como machuquei é um mistério, a suspeita é que tenha sido saindo da piscina. A perna ficou muito vermelha, parecendo uma queimadura. Estouraram duas bolhinhas, ficando mesmo em carne viva.

Isso me chateou muito, chorei mais que criança... tive que suspender a hidro e a equoterapia. Demorou muito pra cicatrizar, agora que começou a formar casquinha. Já posso usar calça e meia de novo, ainda bem porque o frio chegou forte em Campo Grande. Essa madrugada promete 7°C. Uisss!!!

Vou escrever pouquinho hoje porque já está tarde e preciso dormir =p

Amanhã prometo muitas novidades, aconteceram coisas ótimas nesses dias!!!

Paz e Bem!!!

domingo, 9 de maio de 2010

Mamis amada!

Pensar nela é algo constante. Ela é minha grande amiga e meu anjo protetor.
Estamos tão mais próximas e rimos mais juntas.

Mãe te amo mais do que tudo! Sei que nesse dia deveria escrever mais e mais, entretanto eu prefiro sentir a escrever...

Só para relembrar, já escrevi sobre você aqui... e sempre vou escrever para tentar expressar meu amor por ti!!!

Amo que amo minha mamis!!!!!!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sorrir com a alma!

* o texto é um pouquinho longo, mas peço que leia com paciência. Quero apresentar alguém...

Sexta – feira meu pai colocou uma televisão no meu quarto. Apesar de ter dito que o notebook que ganhei das minhas primas e tias foi um presente e tanto, papito achou que eu estava me limitando demais só com ele.

Limitando entre aspas, eu pondero. Estando com a internet ligada, vou longe. Sem contar que estudo, leio sites de noticias, escrevo para o blog, leio arquivos e e-books em pdf e mais mais acompanho minhas séries prediletas com downloads diários. #víciovicioso

Mas não tiro a razão do Sr. Fernando. Sempre que chegava do trabalho, lá estava eu com minha maquininha ligada. Uma imagem entediante de tão corriqueira.

A televisão é pequenina, 14”. Bom que ficou harmoniosa no balcão do quarto, a judiação é que minha miopia parece que aumentou. O óculos não tem ajudado muito.

O presente veio com um mimo necessário: um ponto da TV a cabo. Por favor, não me considerem fútil ou elitizada, porque desses dois não tenho nada. O detalhe é que não suporto a televisão aberta brasileira, dessa só assisto telejornais. Novela não vejo. E se assisto Viver a vida só o faço pela internet, onde posso ignorar praticamente toda a novela e ver apenas as cenas da Luciana e me irritar com alguns desserviços sociais que a trama comete. [pensando em discorrer sobre isso um dia...]

Mais do que mimo, a TV a cabo proporciona diversidade intelectual, social e uepa, diversão! Zapeando os canais (uma maneira de exercitar os dedinhos) parei no Sony Entertainmet Television, na programação American Idol. Do programa que seria para passar o tempo recebi a mais linda lição de vida.

Mas antes preciso contextualizar...

No dia 21 de abril foi realizado lá no EUA o Idol gives back, uma campanha do American Idol para arrecadar dinheiro para projetos que cuidam de crianças pobres nos Estados Unidos e na África.

De dois mundos com quadro financeiro divergente um ponto em comum, crianças sendo negligenciadas.

Quando se pensa no cenário feliz do “estilo de vida [norte] americano” ignora-se cidades em que, estatisticamente, para 300 crianças há apenas um livro! O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostra que a taxa de adultos norte-americanos analfabetos supera os 20%. E pasmem, apesar de ter uma das maiores rendas per capitas do mundo o EUA tem o pior índice de pobreza humana entre os países ricos. Na “terra do sonho verdinho”, 13,6% da população vive abaixo da linha da pobreza com US$ 11 diários, que é o ponto de referência para esse grupo de países.

O que me comove nessa história toda é ver o fascínio daquelas crianças com um livro na mão, encantando-se com os desenhos, criando um mundo mágico em que tem sempre algo gostoso para comer e não passam frio.

Do outro lado do Atlântico o continente africano, dizimado pela malária e pela AIDS.  Foi nesse ponto do programa que me debulhei em lágrimas e mais ainda em vergonha. A malária é a primeira causa de morte de crianças menores de cinco anos na África, e mata uma criança a cada 30 segundos no mundo.

Segundo o último relatório publicado pelo Programa das Nações Unidas contra a AIDS (Unaids) em maio de 2006 a África subsaariana abrigava cerca de 24,5 milhões de infectados, quase dois terços dos portadores de HIV em todo o mundo.

O triste detalhe é que a AIDS já deixou mais de 11 milhões de órfãos naquele continente. Relatório da UNICEF constata que esta doença fará com que, em 2010, pelo menos 40 milhões de menores em todo o continente tenham perdido pelo menos um de seus pais.

Dentro desse contexto que conheci a forte história de Aveline, uma criança africana de sete anos. Ela faz parte de duas estatísticas: é órfã de mãe e foi uma dos 60 mil bebês que nascem com AIDS todos os anos, por lá.

A mãe de Aveline passou o HIV para ela durante a gestação. Isso porque o governo africano parece não se sensibilizar com a questão, não há programas que disponibilizam orçamento para a compra de remédios que evitam o contágio. Em entrevista à Reuters, a esposa de Nelson Mandela, Graça Machel, diz que os líderes africanos não se sensibilizam com pessoas morrendo.

A menina que gosta de rosa chegou a pesar, com sete anos, o mesmo que uma criança de um ano!!! Algo triste e assustador. Ao olhar para ela se vê o contorno de todos os seus ossinhos, a pele ressecada e os dentes cariados.

Nesse ponto é que Aveline mostra a beleza da vida. Mesmo com AIDS e o corpo debilitado pela pneumonia, aquela menina sorri com a alma!!! É lindo vê-la, mesmo magrinha, com os olhos ardendo pela vontade de viver! Sendo ela mesma, pintando como uma criança que quer ser criança.

Aveline recebeu ajuda, toma os remédios e continua de rosa. O vídeo que assisti mostra uma menina que mudou em alguns meses, agora tem uma bochechinha redonda e os olhos reluzem ainda mais.

Sempre me perguntam porque eu estou sempre sorrindo mesmo com a mudança forte em minha vida. A isso eu respondo porque Deus está comigo, me manteve a vida para eu ser melhor e porque acredito na minha reabilitação.

Agora, além disso, eu digo que eu sorrio porque conheci Aveline. Uma menina doce que lá do outro lado do oceano me disse que a vida merece ser amada, não apenas vivida.

[Também quer conhecê-la? Clique aqui. O áudio está em inglês, mas para entender Aveline basta apenas olhá-la.]

Sempre muita paz e bem!!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Memórias que fortalecem

Eu lembro a minha ultima dança. Estava só, no terraço da casa da minha tia em Brasília. Ouvia música brasileira e dançava solta, por hora exagerada. Mas dançava só e livre, longe de qualquer avaliação. Sentia um ar gelado no cerrado e podia sorrir para as estrelas. Foi um momento único e divertido.

Lembro-me dos meus saltos altos. Virtude se equilibrar em uma armação, ora fina e alta ora grossa e sempre alta. Incrível a facilidade em se equilibrar quando não precisamos lembrar esse detalhe. Não recordo a ultima vez que usei meus saltos altos, mas lembro como essa sensação era quista. Sentia-me confiante com meus pares.

Ah! Como é bom lembrar quando tocava meu cabelo e sentia os fios hidratados. E quando podia lavá-los enquanto a água escorria.  Ou mais, quando era capaz de prendê-los ou brincar com os fios enrolando-os, perdendo-me em pensamentos. Disso eu sinto falta.

Lembro de como era gostoso se jogar no sofá, balançar na rede e ficar largada na cama. Não esqueço como é pisar descalça, sentir a textura do chão, da grama molhada e do cimento quente.

Memórias que busco reviver. Detalhes que não pretendo esquecer. Ainda bem que ao longo da vida prestei atenção a sensações que são corriqueiras e que movimentos automáticos as tornam comuns.

E mais do que tudo eu me lembro dos meus últimos passos. Caminhei para o momento que deu um novo rumo a minha vida.

Hoje eu cultivo outras lembranças. Detalhes que representam conquistas.

Agora eu posso redescobrir sensações com a mesma inocência e surpresa de quando eu era um bebe como a água quente em todo o braço que se limitava ao ombro, além de tomar consciência do meu corpo e perceber do que sou capaz.

A surpresa ao sentir o quente nas mãos guardo com emoção. Enquanto o milho queimava o dedo, o cérebro reconhecia a sensação e pude me defender. A isso, eu vibrei.

Comemorei também sentir os toques nas plantas dos pés. A sensação é mais forte no pé esquerdo, mas já começo a reconhecer meus pés!

Cada dia conquisto novas lembranças: a contração do abdômen que aumenta progressivamente, uma dor (bem-vinda) no estômago e na bexiga quando apertam, a recém – descoberta sensação na coxa esquerda e sempre novos pontos de sensibilidade e dor.

Impossível lembrar quando comecei a caminhar e a memória dos meus últimos passos está guardada. Agora, o que eu jamais esquecerei é de quando eu voltar a andar. Essa sensação de vitória será a mais linda de toda minha vida.

Paz e Bem!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Aos meus fisios, com carinho!

Oi!!!...
Estou que nem criança quando sabe que fez coisa que não devia, ou melhor não fez a tarefa de casa... Aí professora põe de castigo e tals.

Bem, vocês podem puxar minha orelha! As duas, só não aperta com o brinco!!! Fiquei de vir aqui, dia sim dia não, e por fim sumi quase uma semana.

Não quero ficar justificando porque parece que estou dando desculpas, mas tenho estado muito cansada. Tentei segunda e terça escrever, mas não conseguia digitar.

Tenho trabalhado muito os braços. Pesinhos no braço, 1 kg em cada, e sobe desce direto!!! Além de uma “queda de braço” com meus fisios. Semana que vem, vou pedir mais meio quilinho! Abusada??? Não! Sou determinada =]

A novidade da semana é que ontem eu conheci a fofíssima Fernanda Takayama, a terapeuta ocupacional que vai me ajudar a recuperar a funcionalidade dos membros superiores! Pessoa tão alto astral!!! Conversamos por quase duas horas, papo sério e descontraído.

Deus é bom demais, nessa batalha da reabilitação só tem permitido pessoas de bom coração e competentes perto de mim! Meus fisios são demais: Dra Juliane Maciel, profº Leandro e profª Juliana e toda turma dedicada de estagiários do Crelame, Michele e Márcia da equoterapia e agora a Fer!!!

Minha recuperação depende muito do meu organismo e da minha força de vontade, mas o que eles fazem por mim é sem tamanho! Eles merecem outro post e vão tê-lo! Vou escrever como cada um cuida de mim!

Obrigada, meus amigos, por toda ânimo que me dão! Amo vocês!

Paz e Bem!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Respirando

Falei que a vida está corrida!!! Hoje, hidroterapia de manhã e equo a tarde! Dia muito bom!!!

Fico devendo de novo os dias no hospital, tô cansadinha... mas deixo para vocês um trecho de uma música que conheci ontem e vejo que ela tem algo a ver comigo. Chama-se "Learning to breathe" (Aprendendo a respirar), da cantora inglesa Nerina Pallot.

 Acompanhe a música em Learning to breathe

Oh, essa estrada é longa, essa estrada é larga,
Precisa mais do que sorte para fazer durar
Precisa força e precisa coragem para sobreviver
E alguma vez alguém já lhe disse:
"Não há limites para o que você faz em pensamentos?"
Bom, eu tenho visto algumas coisas, mas nem todas se tornaram verdades.

Então eu não quero ser a última, eu não quero ser a primeira,
Não quero ficar sozinha com meus pensamentos até amanhã.
E eu não quero ficar com medo, não quero desviar o olhar,
Eu estou aprendendo a respirar,
Não, eu não quero ser a última, eu não quero ser a primeira,
Eu só preciso de esperança e uma luz para seguir [...]

quarta-feira, 14 de abril de 2010

De volta às linhas

Nossa... já estava sofrendo de abstinência!!! Creio que esse foi meu recorde sem postar aqui: 15 dias!!! Eita, agora eu percebo o tanto de tempo. Depois da preocupação com o artigo da pós, a fonte do notebook pifou e fiquei alguns dias sem minha tão querida maniquinha...

Analisei meu compromisso com o blog e a minha atual rotina. Estar aqui é muito importante para mim, ajuda organizar meus pensamentos e sentimentos. Entretanto, tudo está muito corrido, tenho os compromissos com as terapias e com a pós, e quando percebo não tenho tempo ou ‘coragem’ para escrever...

Quero me desculpar pelo tempo de ausência. Fico contente com os pedidos para voltar a postar, me fazem sentir importante.

Sabia que não ia ser fácil, mas também não precisava ser tão complicadinha! O conteúdo da pós é uma delicia de estudar e precisa de muita dedicação. Tenho para esse mês uma prova e um trabalho bem cabuloso!

Isso para dizer que posso diminuir a freqüência de post. Quando comecei o blog queria escrever todos os dias, o que tem sido impossível. Minha meta, agora, é dia sim... dia não... nunca mais passar de dois dias sem escrever!!!

Ainda preciso contar como foram os dias no quarto com as paredes cor de creme... amanhã, sem falta!!!

Paz e Bem!!!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Culpa da pós!!!

Sei que deveria postar como foram meus dias internada em um hospital adventista, mas não poderei fazer isso hoje.
Estou correndo para finalizar um trabalho da pós que tenho que entregar na próxima semana. É, Paulinha tá fazendo pós graduação!! O assunto é muito interessante: Gestão da Comunicação e Marketing Institucional. Nome pomposo. O desafio é que é à distância e não sou assim tãoo disciplinada!

Volto logo!

Paz e Bem

terça-feira, 30 de março de 2010

O dia que tive que dar uma pausa



A manhã estava nublada, mas não deixou de ser linda, de ter vida. Foi apenas uma semana, mas parecia que não deixaria de ver aquelas paredes cor de creme. Voltei ontem para casa, mas não tive coragem de vir ao blog. Muitos pensamentos e a saudade de dormir na minha cama me mantiveram longe.

É interessante como tudo muda em segundos. Eu já deveria estar atenta quanto a isso, pois foi como aconteceu com meu acidente. Sinceramente achei que aquela semana seria comum, ia até a uma feira agropecuária com outros amigos cadeirantes. Ia ser divertido. Mas os planos mudaram.

Segunda- feira passada fiz minha fisio e estava animada quando a Dra. Juliane disse que em um mês evolui o que outros pacientes levam três meses para conquistar em relação à força e equilíbrio. Nossa isso me deixa muito feliz!

Depois disso fomos levar um exame de urina para o meu neurologista examinar. Estava brigando contra essa infecção há um mês quando começou a incontinência e os espasmos estavam extremamente fortes, chegando ao ponto de eu quase cair da cadeira.

O primeiro exame mostrou uma base de 76 mil leucócitos, não sei o que significa só sei que o normal é ate 10 mil. Tomei antibiótico por uma semana. Refiz o exame, o remédio só atiçou as danadas  das bactérias, o número subiu para 100mil! Mais uma vez meu xixi foi para o laboratório.

E foi esse resultado que nos assustou mais. Ah, meu médico também deu uma forcinha para isso. A quantidade de leucócitos havia dobrado!!! Ele disse que se não tratasse logo com antibiótico por via venosa, corria o risco de a infecção subir para os rins e até mesmo contaminar o sangue. Isso seria ruim...

Isso foi um choque. Minha mãe e eu não conseguíamos assimilar. Tínhamos que ir a um pronto-socorro para ser internada, estávamos em frente a um e nem percebemos. Fomos ao trabalho do meu pai pegar a lista de hospitais conveniados. Decidimos por um mais calmo, mas bem longe do centro da cidade.

Passamos em casa, pegamos tudo e esquecemos tudo. Estava calma, mas não conseguia raciocinar. Já no pronto- socorro, várias pessoas com dengue. A enfermeira se negou a me dar preferência de atendimento, ela não sabe que é lei o “direito à preferência de atendimento a idosos, e/ou portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, em hospitais e postos de saúde”.

Reclamei e ela se limitou a me disponibilizar uma maca. Eu queria ser atendida no consultório, não em uma enfermaria falando da minha incontinência urinaria e qualquer um podendo ouvir. A tal profissional ainda falou para o plantonista que a paciente estava nervosinha. É claro que isso foi parar na ouvidoria do hospital.

Quase duas horas depois dos trâmites de internação fui para o quarto das paredes cor de creme. Minha mãe dormiu comigo. Na manhã seguinte, o simpático e competente dr. Luis Quadros me deu uma previsão nada animadora, “mocinha, você deve ficar aqui por pelo menos dez dias!”.

O que aconteceu depois disso conto amanhã. Estava com saudades!

Paz e bem!!!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Fé, Força e Sorriso

Fé, Força e Sorriso

Fé, força e um constante sorriso são as únicas palavras que posso como mãe nesses dias descrever como esta a Ana Paula.O que mais me tem chamado a atenção é como ela tem reagido a mais um momento que implica em sua reabilitação.
O sorriso contagiante e seu  modo meigo de ser conquista a todos que por ela passam. Não há tristeza em seu semblante. Esta se alimentando e tomando bastante água fator também essencial para combater a infecção de urina.
Ontem teve um pouco de enjôos e vômitos  devido ao antibiótico que é forte, porém hoje ela estava melhor.
Ela tem feito fisioterapia pela manhã e a tarde, esta estudando os textos de sua Pós e também fazendo atividades de terapia ocupacional.
Ela só tem a agradecer a todos que tem rezado, assim como eu como mãe agradeço de coração a todos pedem por ela.
Sua mãe:mª.s.a.cardoso.

terça-feira, 23 de março de 2010

A Paulinha está internada!

Paz e Bem a todos!
Sou a Rafa, irmã da Paulinha e estou escrevendo, a pedido dela, para comunicar que
ela está internada com infecção urinária (muito comum entre tetraplégicos e paraplégicos).
previsão é de que fique em torno de 7 dias, mas depende da recuperação.

Peço a todos, por favor, que rezem pela minha irmãzinha... rezem sempre. A Paulinha é muito
forte e corajososa, graças ao Bom Deus que a sustenta a cada instante, mas não é fácil
suportar tudo que ela vem passando.

Muito obrigada pelo carinho e amizade que vocês tem por ela. Que o Bom Deus os abençoe sempre!
Logo ela estará de volta!

Rafa

quarta-feira, 17 de março de 2010

À Beethoven!!

Há algumas semanas comecei uma terapia um pouco inimaginável para um tetra. Afinal, como poderia uma pessoa com limitação em braços e mãos tocar teclado???

No começo, confesso, achei que não ia dar muito certo. A idéia foi do meu pai e a minha amiga Mariza, excelente tecladista com fama em casamentos e formaturas ( http://www.shekinah.mus.br), abraçou a proposta.

Já tive umas cinco aulas e posso declarar que tenho aptidão pro instrumento! Sempre gostei muito de cantar, mas era uma negação com notas. Tentei violão, mas foi dificil, ainda mais sendo canhota. Agora, no teclado tem sido mais prático, apesar de toda a teoria matemática.

De acordo com a minha “profemiga”, a prática no teclado vai ajudar a fortalecer meus dedos, trabalhando todos eles. Além de movimentar mão, punho, antebraço, braço, cérebro, medula e coração!! Palavra de especialita, e já me tem feito um bem enorme! Ah, ajuda também com concentração, raciocínio rápido, percepção, conhecimento musical! Tudo de bom!!!

Comecei devagarzinho com “Minha primeira valsa”, de Mário Mascarenhas. Hoje comecei a tocar a 9ª Sinfonia de Beethoven. Ainda não consigo tocar com a agilidade que a composição pede, mas eu chego lá. Ah, se chego!!!

Uma coisa eu sei e sinto, a música ajuda a acalmar os pensamentos, a fortalecer a alma e nos aproximar de Deus! Mais esse passo e a simples conquista me fazem sorrir mais!

Uma Ode a Alegria, um hino a Alegria:

“Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões se deprimem diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do Céu estrelado! 
Sobre as estrelas onde Ele mora!”

 
                                                   foto: Maria do Socorro

segunda-feira, 15 de março de 2010

Esperança e escolha

Lembrando uma entrevista dias após ter voltado para CG. Grazi, estou esperando a que você fez e manda o arquivo para publicar aqui!
 
De pé - Pode acontecer daqui a cinco ou dez anos, mas a jornalista Ana Paula Cardoso, de 26 anos, prometeu a si mesma que um dia trocará a cadeira de rodas por muletas. “Tenho confiança que vou me recuperar. Digo a Deus que seja feita a sua vontade, mas Ele também conhece a minha. E quero voltar a andar”, afirma, com fé, esperança e determinação.

Repórter da emissora Record em Campo Grande, Ana Paula sofreu um acidente em fevereiro deste ano, na rodovia GO-225, entre Pirenópolis e Brasília. A viagem de férias foi interrompida quando o veículo em que ela estava capotou. “Lembro do capotamento e que os meus braços travaram ainda dentro do carro, um sinal da lesão na medula”, recorda.
 
Entretanto, o problema só foi descoberto no terceiro hospital. “Disse que não sentia nada do pescoço para baixo. E o médico falou que estava tetraplégica. Minha irmã conta que chorei, mas não me lembro”, relata sobre impacto da notícia. Com o diagnóstico correto, ela passou por cirurgia e deu início ao tratamento na rede Sara Kubitscheck.
 
O fato de não ter sofrido ruptura na medula renova a esperança de voltar a andar. A recuperação é em longo prazo, pois a medula demora dois anos para desinchar.
 
Depois de dez meses, é tempo de comemorar vitórias: como a sensibilidade, antes restrita até os ombros, já se estender pelos braços ou poder ficar sentada na cama sem a proteção de travesseiros, pois a volta do equilíbrio impede que o corpo tombe.
 
Ana Paula, que voltou para a casa, em Campo Grande, no dia 14 de dezembro, conta que o dinheiro arrecadado com a campanha de doações será aplicado na adaptação do banheiro e na compra de uma cadeira de rodas que se adapte melhor ao seu tamanho. Pela frente a rotina é árdua e dispendiosa, com sessões de fisioterapia, natação, musculação. Mas Ana Paula não já não cogita mais desistir. “É preciso paciência, tolerância, perseverança e fé em Deus”.

No início de 2010, o sonho a ser realizado é voltar para a redação. “Quero voltar logo. São dez meses de férias. Não aguento mais”, diz Ana Paula.

(texto Aline dos Santos – Cgnews)

Com o coração apertado, mas pensando com a razão adiei os planos de voltar para o jornalismo diário. É preciso muita disciplina com a reabilitação e ela está tomando todo o meu tempo, o que é muito bom!!! Enquanto isso estou me atualizando com uma pós a distância. Espero voltar logo para a redação.

Paz e Bem!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Agenda cheia de novidades!

Seis e meia da tarde e eu já estava com os olhos pregando, querendo entregar-me a um bom soninho. Essa semana foi agitada!

As sessões três vezes por semana aumentaram para mais quatro. Atividades todos os dias da semana. Apesar do cansaço, era o que mais queria. Depois de meses vivendo a boa rotina de exercícios no Sarah, eu estava muito parada...

Segunda e terça sãos dias de sessão particular com a fisioterapeuta Juliane Maciel, uma campograndense muito legal e ótima profissional. Ela exige o meu máximo. No nosso primeiro encontro disse que ia pegar leve no começo, ledo engano. O “leve” dela já significava as abdominais! Ui!

Mas a Ju é gente boa, ela só quer explorar o esboço de abdômen que já tenho. Pois é, já consigo puxar e sentir um pouco do abdômen contrair. Isso é tão bom! Além do mais, tem toda a paciência para alongar meus dedos.

                                                                                                                          foto:Maria do Socorro

Quarta e sexta volto a ter a interação com pessoas com lesão medular, da forma que tinha no Sarah. Esse dividir é uma parte boa do tratamento. Comecei essa semana no CRELAME (Centro de Reabilitação do Lesado Medular), um projeto referência em CG da faculdade Estácio de Sá.

Hoje fui a atração no ginásio. Além de ser carne nova, era a única tetraplégica. Como é clinica escola os “urubus brancos”, assim foram definidas as alunas pela profª drª Juliana Vicente, ficaram todos em cima!
É uma sensação engraçada, todo mundo te olhando, querendo tocar para sentir a mobilidade dos dedos. E estar em um clinica escola é interessantíssimo porque ouço a explicação dos professores e aprendo mais e mais sobre a minha lesão.

Quinta é dia de dupla atividade. Hidroterapia pela manhã com a Ju. A água vai ajudar a dar amplitude aos movimentos e melhorar as minhas articulações. Ainda não voltei para a água, só daqui uns dias, mas morro de saudade da sensação de liberdade e leveza que sinto na água.

À tarde, a aventura é maior: equoterapia!!! O desafio é acompanhar os movimentos do cavalo mantendo o equilíbrio. É um exercício e tanto para eu trabalhar meu equilíbrio, que está mais ou menos.  E não é só isso, o trote do cavalo é o mais parecido com o nosso movimento de quadril quando andamos, logo é um estimulo sensorial enviado para o meu cérebro.

Ah, mais o cavalinho ainda provoca um deslocamento do centro gravitacional normalizando o tônus muscular, controle postural, coordenação, redução de espasmos, respiração, e informações proprioceptivas, estimulando não apenas o funcionamento de ângulos articulares, como o de músculos e circulação sangüínea.

Ontem foi minha primeira sessão! Confesso que estava morrendo de medo, mesmo que a fisioterapeuta Michele tenha escolhido um cavalo baixo e manso, o Falcão, um quarto de milha castrado com aprox. 1mt40.

                                                                    foto:Maria do Socorro 
Como pareço um João-bobo, quatro pessoas me ajudaram. Agora vou ter que me acostumar com o perfume eqüino que fica em mim ao final da sessão.

                                                  foto:Maria do Socorro
Paz e Bem!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Lá vem o sol!

O que é esse calor de Campo Grande? E o calor é um castiguinho e tanto para os tetras. O corpo simplesmente entra em um superaquecimento. Ontem a cidade fervia, o sol estava tão forte e brilhante que só de olhar pela janela do quarto eu derretia. O termômetro marcava 32°, mas a sensação ia além dos 40°. 

Quando a medula está tranqüila, ou seja, sem uma pancada que leva até dois anos para ter um desinchaço satisfatório, o corpo consegue manter a temperatura constante em equilíbrio com a temperatura ambiente. Para tanto, suamos.

Mas para suarmos, um sinalzinho é enviado para o nosso cérebro alertando para o calor (ou frio). E para chegar no “Sr. Sabe tudo”, o bip bip tem que passar pela (saudosa) medula intacta. O aviso de aquecimento chega e o cérebro envia uma ordem para o corpo se esfriar, transpiramos, o suor evapora e refresca a pele.

É, além de não mexer pernas nem braços direito, os tetrinhas ou derretem de calor ou congelam de frio.

Ontem queria muito escrever no blog, mas a minha temperatura corporal estava gritante e eu só queria deitar. Precisei faltar a fisio para não encarar aquele sol escaldante. Tenho dois ventiladores no meu quarto, não quis ar condicionado por conta da renite. Estava arrependida.

Ventiladores e toalha molhada na tentativa de normalizar o corpo, mas pouco resolveu. Tive que ir para o quarto dos meus pais. E até no ar demorou para eu me sentir bem. Os sintomas são de insolação, sem ao menos ter saído de casa! Aquela dor de cabeça, enjôo, sensação de desmaio, fadiga, raciocínio lento... E meu pai teve que dormir no meu quarto!

O mais incrível é quando chega o fim do dia, e todo aquele sol que passamos o dia inteiro reclamando, ignora nossas egoístas lamentações e nos presenteia com um delírio visual.

 (( foto: Maria do Socorro - mamis))

Viva o sol, mas se possível que eu fique na sombra.

Paz e bem!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia das Guerreiras

Hoje é o dia da mulher. Para mim seria mais um dia qualquer, não que eu desmereça a data.  Só que nunca despertou razão para mim. Até hoje!

Recebi muitas mensagens por e-mail, pelo Orkut dizendo terem orgulho de mim, colocando-me como uma das “mulheres mais incríveis” ou como “o verdadeiro símbolo da mulher guerreira e determinada”. Agradeço de coração e sem falsa modéstia não mereço tanto.

Mas foram simples palavras que tornaram prazeroso ouvir a frase “feliz dia da mulher”. Talvez o fato de me sentia uma garota ainda impediam isso. No entanto, meu acidente me chacoalhou e mostrou que eu devo encarar a vida. Sou uma adulta e me esquivava.

Eu não via razão porque até então não havia feito nada para ser uma mulher guerreira. Hoje eu luto pela minha qualidade de vida ou simplesmente porque sou determinada a viver!

Acima de tudo, mais guerreiras do que eu são as mulheres que me ajudam a seguir. De pertinho, de longe, em outro país ou por simples e importantes recados virtuais impedem que eu desista. Nomear seria injusto, não colocarei o nome de todas, mas quem lê esse texto sabe o quão importante é.

A algumas mulheres da minha vida: Socorro, minha mãe; Rafaele e Fernanda, minhas irmãs; Dalila, minha avó; Jacinta, Estela, Marta, Regina e Tereza, minhas tias; Gabriela, Graziele, Emanuelle, Ediane, Luísa, Isabel e Valéria, minhas primas e amigas; Neuza, Poliane, Alivane, Lícia, Ana Raquel, Mariza, Priscila e Aline, minhas amigas.

Feliz dia para todas nós!!!

Paz e Bem

















((mãe amada!!!))


 (( avó insubstituível!!!))

 
(( Isabel, prima e Rafa, mana))           

                                     













((Edi, prima e Nanda, mana))


















((hilárias, Lulu e Gabi))














((imprescindíveis, Alivane e tia Nalva))














((Grazi, prima zelosa))













((Valéria, prima chorona))

















((Manu, prima e  fisio))













(( dinda Marta))


















((Lícia, meu anjinho))

domingo, 7 de março de 2010

Cara nova!

Estou em falta com o blog... mas tem dias que não tenho muita animação para escrever. Logo, dei atenção ao visual da página. Deixando o blog mais bonitinho! Agora tem galeria de fotos e depois vou colocar vídeos. Ah, a minha irmã Fernanda, publicitária jr., vai fazer uma logo pro site. E minha prima Juliana Vilela tá bolandooutro layout.

Quero a opinião de vocês! Tá legal o fundo branco, tem algo incomodando a leitura? O que deveria mudar para ficar melhor?

Com certeza vão ter mais textos essa semana!

bjinhos

Paz e Bem.

terça-feira, 2 de março de 2010

E ela ainda é mãe!

Parece estranho, mas a lesão medular me trouxe boas coisas. Uma das principais foi estar mais perto da minha mãe.
Quando sofri o acidente, imediatamente meus pais foram para Brasília. Não consigo imaginar o choque e a dor que sentiram quando receberam aquela ligação. Dois dias depois da minha cirurgia, meu pai – Fernando - teve que ir embora por conta do trabalho dele. Ela ficou.
Ficou firme, forte e corajosa. Incrível é de onde elas tiram tanta força: do Imaculado Coração de Maria. Nossa Senhora acompanha até hoje a minha mãezinha.
Ficando, abriu mão de planos que eram importantes para ela. Naquele semestre terminaria o curso de pedagogia, depois de quatro anos de notas máximas e sendo referência na faculdade. Depois de uma vida inteira dedicada às suas meninas. Isso me incomoda. Por conta desse acidente ela abriu mão de algo que gostava. Agora, ela tenta retomar, mas é difícil compensar matérias.
No começo, incomodei a minha mãe. Era tudo diferente, tudo tão limitado, que eu não sabia como fazer, como pedir e mais ainda como aceitar o que os outros faziam. Julgava que se eu fizesse teria mais acerto. Esse detalhe foi muito difícil de lidar. 
Apesar de ela ter tido uma santa paciência, brigamos algumas vezes. Na verdade eu chiei muitas vezes. E segundo ela, só sendo mãe pra me agüentar. Ainda bem que o tempo melhora as coisas.
Durante esse ano, ela descobriu vocação para várias profissões. Psicóloga enquanto me ouvia questionar tantas mudanças, fisioterapeuta alongando minhas pernas, terapeuta ocupacional me ajudando a exercitar as mãos, nutricionista me impedindo coisinhas deliciosas que só engordam, cabeleireira me deixando bonitinha. No meio disso tudo, ela ainda é mãe!
E que mãe! Em Brasília conseguiu eliminar algumas matérias da faculdade, a monografia fez enquanto estávamos internadas e tirou 10!
Minha mãe é forte, não me lembro de tê-la visto chorar. Ao contrário, sempre firme me empurrando pra frente, não me deixando desanimar. Ela me faz ter fé de minha melhora sempre que olha para mim. Dá força para lutar.
Ela se chama Maria do Socorro. Minha mãezinha. Quem sempre vem ao meu auxilio e me socorre.
Hoje, essa simples homenagem. Eu te amo, mamis!

 Paz e Bem!

segunda-feira, 1 de março de 2010

De volta!

Poxa, amigos! Desculpa a ausência. Semana passada foi bem cansativa com a nova fisioterapeuta, braços cansados e preguicinha. Final de semana fiquei entregue a filmes.
Hoje, na minha volta, enquanto escrevia comecei a passar um pouquinho mal. Nada grave, enjôo básico. O texto que seria de hoje insiro nessa terça.
Não me abandonem! rss
Paz e Bem!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Folga!

Eita!!! Hoje foi dia de fisio nova e ela me pegou de jeito!!! Treino de equilibrio e 30 abdominais!!!
Não tenho forças para escrever hoje! =p
Volto amanhã com a promessa de postar todos os dias! Estou amando o entusiasmo e apoio de todos! Muitissimo obrigada!
Ah, novidade! Minha amiga linda e fofa, Fernandinha, é inspiração para a primeira cadeirante de uma história em quadrinhos. Muito bom!!! Parabéns, Fer!
Paz e Bem!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Cada dia um pouquinho mais

Um pouco pra direita. Não, foi muito! Esquerda. Esquerda. Pára! Não, não, um pouquinho mais pra baixo. Isso!!! Coça, coça!!! Ahhh!!! Por que parou? Agora que tava ficando bom! Só mais um pouquinho, por favor!
Era sempre assim quando desesperadamente meu nariz começava a coçar. Loucura total. Meus braços, até então sem movimento algum, lutavam para realizar tal façanha. Sem sucesso. Cabia a qualquer pessoa que se aproximasse aliviar minha “agonia”.
Quando meu tio Manel chegava era outro momento de “bora, levanta bracinho!”. Devia ter uns cinco dias de lesão, ele veio todo alegre: “Cadê a benção do tio?”; para a surpresa da minha prima Gaby: “pai! Paulinha não tá mexendo o braço!”. Calma, ainda não estávamos acostumados com isso.
Realmente, era algo surreal. Ainda me pego achando tudo isso muito estranho. Só sei que eu conseguia me divertir quando tentavam abrir uma garrafa de água e debochava – “me dá que eu abro.” – prontamente a garrafa era estendida e ficavam os dois a dar risada.
Cerca de um mês depois, ainda no Sarah centro em Brasília, o braço direito começou a se manifestar. Comecei a dar a mão quando o tio pedia benção e também comecei a me esmurrar. Não, não era nenhuma manifestação de revolta, e sim a tentativa de me coçar. Até ter uma boa coordenação motora, apanhei muito! E mais uma vez, rendia boas risadas.
O braço esquerdo permanecia na dele e se tentavam mexer doía. Um exame mostrou que um músculo no ombro estava pinçado. A espacidade no braço era tão forte que ele não estendia, e o bíceps estava encurtando.
De qualquer maneira começaram os exercícios para os membros superiores. O mais chato, porém necessário, minha mãe apelidou de múmia. Órteses para esticar os braços, sobe e desce com pesinhos. Tedioso, mas ajudou muito.

Com o braço melhorzinho, a próxima etapa foi aprender a comer só. Nesse eu me empenhava, é chato demais receber comida na boquinha. No começo é legal, só na folga, mas enjoa. Tem hora que se quer aquele pedaço de carne.
Treinei bastante até conseguir colocar o garfo na boca. Só que a tarefa era feita com colher, se não fosse por isso e pelo colar cervical teria furado até o meu pescoço.

Essas melhoras aconteceram nos três primeiros meses, ainda internada no Sarah centro. Muita coisa está evoluindo, mas isso eu conto depois!
Mas antes de me despedir quero dar um testemunho. Hoje à tarde, algumas senhoras vieram rezar o terço aqui em casa. E Nossa Senhora me deu um presente, um sinal da graça que Deus realiza em minha vida. Durante todo o terço senti muita dor em todo meu braço direito, mais ainda no punho e dedos. Para mim isso tem um significado enorme porque eu não sentia dor. É uma alegria tremenda sentir dor!!!
Glória a Deus! Sempre, sempre! Peça ao Filho que o Pai atende! Creio nisso e espero no Senhor. Por isso eu digo, confie em Deus que é amor e nunca nos abandona!
Paz e bem!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Pausa

Amigos, estou ausente esse fds na web.
Volto segunda!
Paz e Bem!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Foi assim no começo...

Seria engraçado, se não fosse estranho, o meu visual a partir de fevereiro de 2009. Isso porque rasparam as laterais do meu cabelo para furar meu crânio e colocar uma tração de 15 kg e assim aliviar a compressão na medula.

Infelizmente não tenho foto disso, só imagino como ficou. Esse detalhe traumatizou no começo, não pela tração, mas porque cortaram meu cabelo! Cuidava tanto dele...
Além disso, recordo bem o inicio da lesão quando estava internada no 1º estágio do Hospital Sarah. Fiquei quase 15 dias naquele andar, cercada de cuidados que beiravam o mimo. Ótimos profissionais.
Acima de mim, ficava aquela máquina que mede pressão, ritmo cardíaco e tals. Ah, aqueles bip bip judiavam muito mais do que os ai ai da dona Isabel, uma senhora que sofreu um AVC em Londres. Durante o dia ela não emitia um som, escurecia e a melodia começava. Mas isso não me incomodava, ela sofria mais do que eu.
Eu não conseguia ver a dona Isabel. O colar cervical impediu por muito tempo essa visão periférica.
Um alivio que eu tinha era o respirador artificial. Eu gostava de dormir com ele, me relaxava. Mas do que isso, eu precisei dele até dissipar o edema que formou no pulmão. Era um arzinho tão fresco. Fiquei conhecida como a paciente que amava o bee pap (não sei como escreve), enquanto outros detestavam.
Agora, o que era mesmo engraçado foi algo que eu sempre briguei: meu peso. Sem exageros, eu fiquei com 90 kg!!!!!!!! Assustador, né? Esse peso todo era de líquidos no meu corpo, exacerbados devido ao uso corticóide. Mais ou menos assim que os médicos explicaram.
E mais estranho ainda era como me sentia na cama. Poxa, tá sendo legal resgatar essas lembranças... Bem, como eu não sentia do pescoço pra baixo, parecia que eu era só uma cabeça! Pensa!!! É uma sensação bem doida! A cama parecia algo minúsculo, eu me sentia em uma caixinha de fósforo! Não sei por quanto tempo essa sensação durou.

Paz e Bem!

 
(( de moicano e inchada, pelo menos a minha irmã para embelezar a foto))